22 anos. Aprendiz eterno e questionador da vida.

Depoimentos de 4 Brasileiros inscritos na clínica suíça.

18:32 Posted by Abraão B. Braun 12 comments
   Se você não leu o 1º post sobre este assunto,recomendaria ler para poder intender sobre este 2º post,para ler Clique Aqui
    Como havia dito no post de ontem,no próximo post eu iria postar o depoimento de quatro Brasileiros que se inscreveram entre os 6.261 inscritos para uma lista que poderíamos chamar talvez de '' Lista da Morte '' ?
     Todos portanto quatro personagens e quatro nomes,dois fictícios e dois reais,seus nomes são: Raquel ( Fictício ), Hamilton Martins,Ana Paula (Fictício) e Orlando Correia.Raquel é aposentada e tem 68 anos,Hamilton é comerciante e tem 45 anos de idade,Ana Paula tem 32 anos e é ex atleta e Orlando tem 46 anos e é funcionário público,Vamos aos principais argumentos destas pessoas que desejam a morte.


Raquel: '' Minha mãe passou três anos irreconhecível antes de morrer.
quero poupar minhas filhas disso ''

"Há quatro anos, eu estava andando na rua quando desmaiei, caí e quebrei uma costela. Investigando a causa daquele desmaio, descobri que tenho ateromatose, uma doença degenerativa que entope minhas artérias carótidas e aorta. Isso prejudica o fluxo de sangue e oxigênio para meu cérebro, provocando desmaios e a morte de células nervosas. A ateromatose é imprevisível. Posso ter um derrame, dentro de um mês ou 15 anos, e perder a consciência de quem sou para sempre. Logo que fui diagnosticada, me inscrevi na Dignitas. Eu conhecia e admirava o trabalho do americano Jack Kevorkian, o Dr. Morte, que auxiliava seus pacientes terminais a morrer. Fiquei aliviada ao descobrir uma organização capaz de fazer isso, mesmo que eu tivesse de viajar até a Suíça. Não sei se usarei o serviço algum dia, mas é um conforto ter essa opção. Tenho duas filhas maravilhosas. Uma é mais emotiva e não gosta de tocar no assunto. Mas nenhuma das duas se opõe à minha decisão. Caso eu tenha algum problema grave, com sequelas, elas sabem onde encontrar uma pasta com declarações escritas sobre o meu desejo de cometer suicídio assistido e ser cremada.
Antes, eu era muito ativa. Hoje em dia, tudo é devagar por causa dessa doença. Tenho sono o tempo todo. Sinto dor para engolir. Às vezes, não consigo me equilibrar. Sei que há uma cirurgia para tratar da ateromatose. Mas é um risco. De dois conhecidos que fizeram, um morreu durante a operação e outro ficou com sequelas graves. Como qualquer outra pessoa, adoraria morrer dormindo, de enfarte, daqueles fulminantes. Mas nada me garante esse destino, e eu tenho pavor de perder o controle do meu cérebro. Sei bem como é acompanhar alguém que sofreu disso. Antes de morrer, minha mãe passou três anos delirando num leito de hospital, sem reconhecer pessoas e falar coisa com coisa. Foi terrível. Proibi minhas filhas de a visitarem. As duas tinham que guardar somente lembranças boas da avó, que não parecia mais um ser humano. Quero livrar as minhas filhas dessa dor. Para mim, a morte é o final feliz. Você e seu sofrimento não existem mais. As pessoas próximas ficam tristes, passam por um período de luto e depois sentem saudade.
Frequento médicos e faço exames regularmente. Não deixei de fumar um maço de cigarros por dia. Não há muito o que fazer nesse estágio da vida. Daqui pra frente, o que vier é lucro. Já deixei tudo pronto para elas. Não tenho mania de morte. Sou bem-humorada. Faço um esforço danado para realizar tudo o que ainda posso. Ultimamente, ando atarefada com a reforma do meu apartamento. Não entendo quando alguém sonha viver até os cem anos e não imagina a qualidade de vida e limitações que teria nesta idade. Experimentei muito mais do que várias pessoas de 90 anos. Não fiquei na janela olhando a vida. Aproveitei minha juventude, peguei muito sol, viajei pelo mundo, namorei, casei, me divorciei e trabalhei duro. Não me sinto uma suicida. Jamais pularia da janela. Cada um de nós é diferente e tem a suas crenças. O que serve para mim pode não servir a mais ninguém. Respeito isso. Não sou dona da verdade. Mas sou dona da minha vida."


Hamilton : '' É nobre oferecer  ajuda a quem está sofrendo,mas espero não precisar ''

 "Até agora não tive nenhuma doença grave. Cadastrei-me no serviço da Dignitas para apoiar a causa. Não tenho medo de comentar abertamente minha visão sobre suicídio assistido. Cada um tem direito de decidir a respeito da própria vida. Meus irmãos me entendem e apoiam. Já meus pais nem gostam de ouvir. Posso entendê-los. Não é natural perder o próprio filho. Só não quero que me vejam como louco. Se eu tivesse uma doença crônica ou problema físico incurável, certamente usaria o serviço. A clínica faz algo nobre ao oferecer essa oportunidade para quem está sofrendo. Mas eu espero, de verdade, não precisar usar o serviço."
 


Ana Paula : '' Nem consigo escovar os dentes.
Como posso viver sempre dependendo de alguém? ''

 
"Na escola, eu lutava judô e era a atleta da sala. Depois, me formei em Educação Física e pratiquei todo tipo de esporte. Malhava e corria diariamente, pegava onda quase todo fim de semana e participei de maratona. Tudo acabou há três anos. Dei um mergulho no mar, de um lugar alto, não vi que a água estava rasa e caí de cabeça num banco de areia. Quebrei uma vértebra na coluna cervical e fiquei tetraplégica. Desde então, só consigo mexer a cabeça.
A lesão não tem cura. Passei meses fazendo um tratamento experimental, nos Estados Unidos, e não melhorei. Centenas de médicos testam novos métodos e técnicas de cirurgias pelo mundo, cobram caro e não oferecem resultados. Conheço muita gente que viajou, pagou e se frustrou. Por isso, não me arriscaria a fazer uma cirurgia que pode não dar resultado. E o risco de que eu falo não é risco de vida ou financeiro, é o risco de me decepcionar. Fiquei muito tempo achando que as coisas iriam melhorar e acontecer. Pesquisei muito o assunto e sei que a perspectiva não é boa. Há muita esperança em células-tronco, mas nada palpável até agora. Um cientista brasileiro, Miguel Nicolelis, quer usar a robótica para fazer um tetraplégico dar o pontapé inicial na Copa de 2014. Isso não me anima, não quero usar um exoesqueleto e sair na rua igual ao Robocop. Quero restaurar a função ativa da minha musculatura. Eu faço fisioterapia, a única coisa que posso fazer. De segunda à sexta, participo de sessões para não deixar meus músculos atrofiarem e vou ao psicólogo e psiquiatra, uma vez cada. Eu não sou uma pessoa depressiva ou bipolar, nunca tive tendência para isso. Tento viver minha vida, saio bastante com meus amigos e família. Estou trabalhando numa empresa, onde uso um computador e telefone com adaptações, mas tudo é difícil. Ainda mais quando vejo a vida das pessoas andando e a minha, parada.
Eu não consigo nem comer e escovar os dentes por conta própria. É muito penoso, passivo. Como posso esperar viver uma vida plena e longa se sempre estarei dependendo de alguém? É impossível, inviável e intolerável. Eu tinha uma vida plena até o dia do meu acidente. É fácil me dizer que devo tocar a vida. Não. Eu posso desejar uma qualidade de vida que eu não tenho e não sou obrigada a aceitar aquilo. É difícil para quem está de fora entender. As pessoas são egoístas, só pensam no quanto elas vão sofrer se você for embora. Não conseguem ter ideia do seu sofrimento. Gostaria que a minha decisão fosse respeitada. Eu entrei em contato com a Dignitas há um ano e meio. Fiquei aliviada em descobrir que lá não é um açougue. Eles se importam, querem saber o que você sente. Com a Dignitas, passei a ter uma alternativa, uma saída. Senti uma paz impressionante ao me cadastrar lá.
Eu sei que não vou envelhecer assim. O suicídio é uma coisa que vai acontecer na minha vida e eu espero que não demore. É algo que precisa ser bem trabalhado em família, porque eu não quero que eles sofram com isso. Principalmente meus pais, ainda mais minha mãe, que me carregou no ventre. É muito complicado. Queria organizar uma reunião familiar com um psicólogo para discutir a situação. Não quero fazer nada em desarmonia, não é justo. Eu tive a sorte e oportunidade de ir atrás de tudo possível para melhorar, e mesmo assim não tenho perspectiva. É por isso que vou até a Suíça."

Orlando Correia :   '' As pessoas não fazem seguro de vida? vejo o que fiz como um seguro de morte ''



"O suicídio marcou minha infância. Quando eu era pequeno, um primo mais velho tentou se matar com um tiro no peito e não conseguiu. Eu acompanhei suas sessões diárias de fisioterapia no hospital, por meses, sem perguntar nada. Até hoje não sei qual foi seu motivo. Eu simplesmente ficava olhando para seu rosto, curioso para saber o motivo daquela atitude. Eu achava o suicídio uma coisa medonha, mas tinha certo fascínio. Minha visão a respeito do tema melhorou ao passo que envelheci e amadureci. Comecei a entender que existem vários tipos de suicídio e suicidas. Ano passado, vi uma reportagem na televisão e fiquei impressionado com o depoimento de um membro da Dignitas. Ele havia sido diagnosticado com uma doença grave que não tinha ainda manifestado os sintomas. Mesmo assim, estava indo para a clínica morrer. Fiquei impressionado com a convicção da pessoa e me inscrevi na clínica na mesma hora.
O suicídio não precisa ser uma coisa trágica. Pode ser calmo, bem pensado e com dignidade. No meu caso seria mais fácil tomar uma decisão dessas, já que não tenho filhos nem esposa. Já fui religioso, hoje sou ateu. Eu não tenho problema algum de saúde, nunca desejei me matar e nem teria coragem de pular de um prédio ou dar um tiro no peito. Adoro viver. Mas, se a vida em algum momento se tornar um fardo para mim, ela não terá mais sentido e eu vou procurar uma forma digna e decente de morrer. As pessoas não fazem seguro de vida? Vejo a Dignitas como um seguro de morte."





Pelo que vi ate aqui,nos depoimentos destas pessoas,elas me parecem estarem cansadas de sofrer,e te levar uma vida dura,todos sabem que com isto vem a depressão e isto tudo desencadeia vários fatores,mas por outro lado sabemos que podemos sermos felizes independente da situação,é apenas questão de saber,e claro,não é fácil,mas,pensar em suicídio,na minha opinião seria querer '' fugir '' dos problemas...

Raquel se formos interpretar seu depoimento parece estar muito depressiva,desleixada e vivendo a vida do jeito que vir,deixando os problemas acumular e contando com a morte que talvez irá vir.

Hamilton já parece estar mais lúcido,pretende usar esta técnica auto suicida apenas se vier a ter uma doença grave,incurável ou algo do gênero... poderíamos dizer que no seu caso,sua opinião é respeitável,desde que a doença de fato estivesse tomado conta de 90% de sua vida...

Ana Paula,ex Atleta,pelo fato de ter uma vida agitada,com conquistas e medalhas,ao acontecer algo muito ruim e tantas tentativas falhas de voltar a ser como antes também,resolveu abandonar a vida,e aguardar ser chamada para que chegue sua vez..

E por último Orlando,que segundo ele fez um '' Seguro de morte '' se sente confortável com sua situação,pretende usar a técnica se caso a vida se tornar um '' fardo '' para ele,na opinião do mesmo,acha que é coerente,já que não possui filhos nem esposa,fica mais fácil...


Na minha opinião,pelo que vi dos relatos e etc,acho que estas pessoas talvez precisam de um tratamento psicológico ou acompanhamento psiquiátrico com remédios controlados,pois porque abandonar a vida mesmo com dificuldades? temos que enfrenta las,a vida nos impõe muitos problemas,porem cabe a nós eliminarmos, claro que nunca é fácil,mas talvez a morte não seja necessariamente o caminho certo para se resolver algum problema....




- Créditos : Revista Época ( Revista qual tirei os depoimentos dos quatro brasileiros )

- Agradecimentos : Gostaria de agradecer a Gabriela,uma grande amiga que me mostrou esta reportagem da Época,a qual despertou meu interesse e como tinha gostado resolvi compartilhar aqui com vocês.

    
 

12 comentários:

  1. Comecei a acompanhar ontem na primeira postagem sobre o assunto e vou ler essa matéria, estou muito interessado nos depoimentos. Só tenho que ir na rua agora, então to deixando esse comentário pra não achar que vou te dar calote,assim que eu retornar, leio e comento a respeito. Deixa eu aproveitar pra te convidar pra um grupo de blogueiros no facebook, onde você poderá divulgar seu blog e fazer muitos amigos. http://www.facebook.com/groups/310688812354166/
    Não deixe de participar.

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  2. Olá,
    meu email é: lucasmarcelomanfio@yahoo.com.br
    você quer a imagem em algum tamanho especifico?

    Essa postagem é bem interessante mesmo. Concordo com o seu ponto de vista, acho que buscar ajuda psicológica seria mais adequado do que assinar um "seguro de morte". Acho que todos tem traumas, obstáculos e uma história triste para contar, mas nem por isso sai decretando suicídio.

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    1. Olá Manfio,já lhe contatei pelo email para acertarmos sobre a parceria !

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  3. Li a primeira postagem agora para poder compreender este... O assunto é bem polêmico e os depoimentos tocantes...

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  4. Bem interessante os pontos abordados!

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  5. Eu já tinha conhecimneto desta reportagem... AGRADEÇO DE CORAÇÃO GRANDE AMIGO! ABRAÇOS! Agradecimentos : Gostaria de agradecer a Gabriela,uma grande amiga que me mostrou esta reportagem da Época,a qual despertou meu interesse e como tinha gostado resolvi compartilhar aqui com vocês.

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  6. Olá, muito interessante este post, como ve todos nos estamos propicio a varios problemas.

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  7. momentos dificeis da vida que se a gente nao tiver fé e uma base familiar, espiritual... a gente se perde mesmo

    http://blogdoitalogomes.blogspot.com.br/

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  8. forte eim... foi bom vc ter compartilhado essa reportagem com nos que naum conhecíamos...


    http://mostraoseu.blogspot.com.br

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  9. Que horror!!! Sou até sou favor da eutanásia em casos de extremo sofrimento, mas desse jeito não dá, né?

    http://casadacolinablog.blogspot.com.br/

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  10. Nossa eu li os 2 posts, po eu não sou contra, cada um faz o que quer da sua vida... mas se eu parar e olhar pra dentro de mim, eu não desistiria não, até o fim!

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